sábado, maio 16

Veja a Diferença entre Sentir Falta e Saudades

  • Sentir falta é pontual, é dor fina, dor de anestesia de dentista. Sentir falta é mais específico. Já a dor da saudade é grande. É infecção generalizada. É uma gripe daquelas. A saudade não te deixa respirar... Sentir falta, ao contrário do que dizem por aí, é diferente, muitíssmo diferente, do que sentir saudades.

Ah, sentir saudades... Sentir saudades é grandioso, é dolorido. Dor enorme que rasga por dentro dias seguidos, horas intermináveis, tempo infinito.Sente-se falta do carinho antes de dormir, da implicância com o controle remoto, sente-se falta do jeito boboca que ele tinha de andar, se balançando todo. Sentir falta é mais egoísta, quase que material. Sentir falta do café dele, da bagunça dele, dos discos dele, do chinelo dele, sempre ali, jogado displicentemente na beira da cama. Sentir falta da camiseta velha dele que você podia usar... Ai, que falta faz essa camiseta... Sentir falta é pequeno, mas não menos doloroso. Ou não dói uma unha encravada? Ou não dói um bife que a manicure tira? Ah, dói... e como. Talvez até mais que a dor da saudade.

A dor da saudades, não te permite trabalhar, te faz faltar o ar. É dor das grandes que te derruba de tal forma que, de repente, por mais que esteja sol, faz um frio de rachar na sua casa e você pode jurar que nunca - nunca - sairá de novo de dentro do seu edredon, porque suas forças acabaram ali, naquele instante, e não há mais nenhum fiapo de vontade, sequer para amarrar um tênis. Isso é saudade. Saudade não é sempre de uma coisa específica. Pode até ser, mas normalmente saudade é plural. Saudades é dos dois. Saudades é de você mesma, com os olhos brilhando.

Saudades do frio na barriga, saudades do começo, saudades da praia, saudades daquela festa ridícula, saudades dos foras que vocês davam juntos, dos preparativos para aquela viagem, saudades daquela viagem e da alegria de estar lá. Da expectativa de ir pra lá, da ansiedade, da enorme felicidade e graça, que só vocês conheceram... Saudades de coisas efêmeras, saudades de fumaça que não se pega, não se toca e, talvez, nem tenha acontecido de fato. Por isso, saudade pode ser inventada - falta não. Saudade é contínua, falta é curta. Saudade é pó, falta é pedra. Saudade é soco no estômago, falta é puxão de cabelo.

Falta é daquilo que não está ali, e que deveria estar. É a dor da cozinha intocada, da luz apagada, do controle remoto só seu. A falta está na rotina, nas pequenas coisas concretas do dia a dia. Ela é pontual, mas pode aparecer todos os dias. E todos os dias você sentirá a dor fina da picada de uma abelha quando notar, por exemplo, que o banheiro está arrumadíssimo e a pia ficou grande para os seus poucos perfumes. Lá está a dor da falta vindo de repente, tal qual um ladrão que te furta a bolsa... Ela vem e, como uma unha encravada, não te impede de trabalhar, de viver, até de se divertir. Mas avisa que está lá, latejando dentro do sapato bonito

Você pode até ter se curado das saudades, mas, talvez, um dia, quando o chuveiro queimar, você vai sentir uma falta enorme dele, e de todas as soluções simples que ele tinha para problemas tão complexos como esse...Talvez uma se cure antes da outra, talvez nenhuma das duas tenha cura. Ambas, no entanto, te trazem a sensação da angústia. Ambas acontecem apenas quando o objeto da saudade ou da falta, parece estar ali, na beirada da sua vida. Ambas te fazem esticar o braço com força, com toda a sua força, o máximo que pode, para alcançar aquilo que já não está mais ali, que é sombra, é marca d'água de powerpoint, e é por isso que dói.

Talvez essas duas dores só sumam de fato quando ele sair da beirada. Quando o desenho do rosto dele não for mais tão nítido na sua memória, quando o som da voz dele não for mais tão claro em teus ouvidos. A saudade e a falta, de formas diferentes, com dores distintas, clamam por aquilo que mais se teme. A única solução possível é a mais temida, e serve para as duas: o esquecimento.

Quem És Tu?

  • Quem és tu, poeta,
  • Que vieste assoprar...
  • Palavras tão lindas...
  • Em meus ouvidos?

  • Meu poeta,
  • Sem rosto...
  • Tua presença...
  • Sinto no ar...
  • Mas não consigo decifrar!
  • És tão sábio e tão cativante...
  • Me destes versos tão brilhantes!
  • Que como tal desconheço...
  • Poeta,
  • Com tua enorme sabedoria...
  • Eu o reconheceria...
  • Mas tu não me conheceria...

  • Porque contemplas a arte...
  • Se não a desvendas?
  • Onde está a tua tenda?
  • Com tuas rimas...
  • Eu me alimento...
  • Tu nunca desanimas?
  • Com a tua boemia...
  • Tu distrai meu pensamento...
  • Precisa tanto encantamento?
  • Tu és um poeta...
  • Itinerante, retirante...
  • E distante...

  • Diga-me:
  • Quem és tu, meu poeta,
  • Brasileiro?

Lulucha

domingo, maio 10

Eu Sou Normal

A coisa mais comum quando alguém ouve falar em trauma é pensar: “eu não tenho trauma, isso não tem nada a ver comigo”. E quem é que quer ter trauma ou simplesmente pensar que tem? Isso parece algo muito dramático.

Dessa forma, trauma é, talvez, a mais evitada, ignorada, negada e incompreendida causa de sofrimento humano. É importante você saber, entretanto, que trauma não é doença. Então como explicar aquilo que você sente? Peter Levine tem uma excelente definição que explica em boa parte aquilo que, talvez, você esteja sentindo agora: “Trauma é uma camisa de força interna, criada quando um momento devastador é congelado no tempo. Sufoca o desenvolvimento do nosso ser, estrangulando nossas tentativas de seguir em frente com nossas vidas. Desconecta-nos de nós mesmos, dos outros, da natureza e do espírito. Quando somos dominados por uma ameaça, ficamos congelados no medo; é como se nossas energias instintivas de sobrevivência estivessem ‘arrumadas, prontas, sem ter lugar para onde ir”.

Você pode estar pensando agora “Nossa, é assim que eu me sinto!”. Sim, muitas pessoas se sentem desta forma, porém, não conseguem entender o porquê. E sem entender o que está acontecendo, muitas vezes não percebem que precisam de ajuda. O que talvez você ainda não saiba é que muitos sintomas do trauma aparecem muito tempo depois do ocorrido, às vezes anos depois, e, então, a pessoa não relaciona o sintoma, com a situação traumática e o pensamento mais comum é “eu já superei aquele evento, aquilo já acabou” e, quando os sintomas começam a aparecer, simplesmente ficam soltos, desconectados de qualquer situação anterior.

Será, então, que você já experimentou algum trauma? O modo mais comum de se pensar sobre trauma é que ele ocorre através de experiências de choque como sofrer uma violência, catástrofes, acidentes, ferimentos graves. Até recentemente, o conhecimento que se tinha sobre trauma era limitado unicamente a essas experiências.

Entretanto, hoje já se sabe que a verdade é bem maior do que essa. É provável que você ainda não saiba que, com o tempo, vários acidentes considerados insignificantes podem ter, numa pessoa, o mesmo efeito devastador que eventos traumáticos maiores, como guerra ou estupro. Talvez a coisa mais importante para você entender sobre trauma é que a pessoa pode ser “soterrada” por eventos diários que, normalmente, nós consideramos comuns e aos quais não damos a devida importância.

Trauma acontece quando qualquer experiência inesperada, como por exemplo, quedas, doenças, procedimentos médicos e dentários invasivos, entre outros, nos atordoa, nos inunda, deixando-nos alterados e desconectados de nossos corpos, de nós mesmos, de nossos familiares, das outras pessoas ou do mundo a nossa volta. Essa falta de conecção é frequentemente difícil de reconhecer porque não acontece de uma única vez.

Isso pode ocorrer devagar, com o tempo, e nós nos adaptamos a essas mudanças sutis, às vezes sem mesmos notá-las. Nós podemos sentir que algo está errado, sem mesmo estar completamente consciente do que está acontecendo; é um minguar gradual da nossa auto-estima, autoconfiança, sensação de bem-estar e conecção com a vida. Nesse sentido, muitos de nós já experenciaram trauma, direta ou indiretamente. Quando a vida começa a ficar limitada...

Como você pode imaginar, se estamos desconectados de nossos corpos, nossas escolhas começam a ficar limitadas e, com o tempo, começamos a evitar certos sentimentos, situações, pessoas ou lugares e já não estamos mais livres para decidir o que queremos sem essa influência traumática que nos prende tanto e, então, nos sentimos impotentes, sem esperanças ou desesperados. Essa constrição gradual nos leva a uma perda de vitalidade, a uma perda do nosso potencial para realizar nossos sonhos.

Se não conseguimos resolver o estresse gerado pelo evento traumático, sintomas ou doenças começam a ser formados e isso pode dificultar nossas aspirações individuais, econômicas, afetivas e espirituais. É... nossa vida começa a ficar limitada. Trauma acontece de maneira igual para todo mundo? A maneira como as pessoas lidam com situações traumáticas varia de pessoa para pessoa, portanto aquilo que pode prejudicar uma, às vezes não significou absolutamente nada para a outra.

Fatores como idade do indivíduo, a história do trauma, dinâmica familiar e mesmo composição genética influenciam nessa ampla extensão de respostas à ameaça. Devemos lembrar que uma criança pequena tem menos recursos para se defender que um adulto. Sendo assim ela está mais propensa a sofrer traumas.

Hoje em dia já se sabe que o evento em si não é traumático, mas, sim, a percepção que a pessoa tem do evento e a capacidade de responder a ele. Se alguém percebe uma situação como ameaça de vida, então essa situação é potencialmente traumática. “Trauma, portanto, não está no evento em si e, sim, no Sistema Nervoso”, e é com o Sistema Nervoso que devemos trabalhar, se quisermos ficar livres dos sintomas do trauma.

Quando podemos entender a diferença da maneira como as pessoas experimentam trauma, nós ficamos mais livres dos julgamentos que fazemos uns dos outros e isso é um passo enorme para a cura. Esse julgamento só nos afasta de procurarmos ajuda. Como curar o trauma? É importante você entender que qualquer ou todos os sintomas podem aparecer, não importando qual foi o evento que causou o trauma. E esses sintomas vão desaparecer quando o trauma for curado. Para curar o trauma nós precisamos aprender a confiar nas mensagens que nosso corpo está nos mandando e na enorme sabedoria que ele tem. Os sintomas do trauma nos fazem acordar, nos fazem olhar para nós mesmos.

Quando aprendemos a ouvir essas mensagens e aumentamos a consciência do nosso corpo e, finalmente, descobrimos como usá-las, então, nós podemos começar a curar nossos traumas. Muita transformação acontece com a cura do trauma. São restauradas a confiança e a capacidade; a sensação de “Eu posso” é recuperada e a pessoa se sente mais controlada, com maior consciência das possibilidades de escolhas. Ocorre um sentimento de realização e integração e a recuperação da espontaneidade.

Meu trabalho oferece os passos necessários para aliviar e eliminar a ativação do Sistema Nervoso, gerada por traumas passados que causam sintomas de desconforto e sofrimento. Lembre-se que, quando nos libertamos das amarras desses traumas passados, podemos ter um futuro diferente, com maior liberdade e novas possibilidades de escolhas. Sinta-se à vontade para me ligar e marcar uma sessão gratuita para conversarmos sobre como eu posso ajudar a resgatar tudo isso.

Fonte de Pesquisa: vidasemestresse