quarta-feira, dezembro 15

Tudo Sobre a Pílula do Dia Seguinte

Saiba como usar a pílula do dia seguinte


Pílula do dia seguinte: modo de usar

A pílula do dia seguinte é assunto cercado de polêmicas e inseguranças.
As dúvidas mais frequentes

Como a pílula deve ser tomada?

Existem dois tipos. Um deles vem em dose única e o outro são dois comprimidos (um ingerido logo após a relação e outro após 12 horas). Seja qual for o tipo, deve ser usado no máximo 72 horas após a relação sexual. Quanto mais tempo demorar, menor será a eficácia.

A pílula funciona como um abortivo?

Não. Ela age antes que a gravidez ocorra. Se a fecundação ainda não aconteceu, o medicamento vai dificultar o encontro do espermatozoide com o óvulo. Agora, se a fecundação já tiver ocorrido, irá provocar uma descamação do útero, impedindo a implantação do ovo fecundado. Caso o ovo já esteja implantado, ou seja, já tenha iniciado a gravidez, a pílula não tem efeito algum.

Preciso de receita médica para comprar a pílula?

Sim. Embora seja possível adquiri-la nas farmácias sem prescrição. No entanto, mesmo que você dispense a receita, procurar por orientação antes é indispensável. Só um ginecologista poderá dar certeza de que o medicamento é indicado para o seu caso.

Ela pode causar efeitos colaterais?

Sim. O mais frequente deles é a alteração no ciclo menstrual e do tempo de ovulação. Em outras palavras, vai ficar impossível calcular seu período fértil e o dia da sua menstruação será um verdadeiro enigma. Além disso, dor de cabeça, sensibilidade nos seios, náuseas e vômitos são sintomas comuns. No caso de vômito ou diarreia nas duas primeiras horas após a ingestão, a dose deve ser repetida. Quem tem organismo sensível a medicamento e está tomando a pílula com indicação médica deve pedir a indicação de um remédio contra enjoos para tomar ao mesmo tempo.

Existe contraindicação?

A pílula é contraindicada para quem sofre de alguma doença hematológica (do sangue), vascular, é hipertensa ou obesa mórbida. Isso porque a grande quantidade de hormônio pode provocar pequenos coágulos no sangue que obstruem os vasos.

Se eu tomar repetidas vezes, ela perde o efeito?

Ela não perde o efeito, mas o risco de você engravidar aumenta. Normalmente, ele já é de 15% se você tomar depois de 24 horas de transar, contra uma média de 0,1% da pílula anticoncepcional comum.

Posso trocar a camisinha pela pílula?

Nem pense nisso. A pílula deve ser tomada apenas quando o método contraceptivo escolhido falha. Além de apresentar efeitos colaterais muito mais severos que a pílula comum, e ser bem mais cara, o contraceptivo de emergência não a protege das doenças sexualmente transmissíveis. Contra elas, só mesmo a boa e conhecida camisinha.

A pílula do dia seguinte é também um método contraceptivo?

Não. Como o próprio nome diz, ela deve ser usada em casos excepcionais e não como um anticoncepcional de rotina, como muitas mulheres estão fazendo. A dose alta de hormônio do medicamento, cerca de 20% a mais do que o existente em uma drágea de anticoncepcional, aumenta o risco de efeitos colaterais.

Mesmo tomando essa pílula é possível engravidar?

Sim. Como todo método, há risco de falha. Como já foi dito, quanto mais cedo a pílula for tomada, maior a sua eficácia.

O uso pode afetar o aparelho reprodutor?

Pode. A curto prazo causa uma verdadeira revolução na produção hormonal da mulher. Já, a longo prazo, depende da quantidade de vezes que a pílula do dia seguinte foi usada. Quanto mais, maiores os riscos. Caso ocorra a gestação ectópica, a mulher poderá perder uma trompa e isso dificultará uma futura gestação.

Ao utilizá-la, estarei protegida até a chegada da menstruação?

Não. Terá se protegido somente da relação que aconteceu antes de ter tomado a pílula.

O dia depois da pílula

A julgar pelo uso rotineiro, sobretudo pelas jovens, a pílula do dia seguinte tem sido encarada como um quebra-galho. Grave erro. O contraceptivo nasceu para evitar a gravidez quando outros métodos falharam e não para tirar de uma fria quem transa sem a menor proteção

A pílula do dia seguinte

Contracepção de emergência. O nome já diz tudo e se refere a um método que só deve ser usado em episódios extremos se a camisinha estoura ou, pior, em caso de violência sexual. Mesmo assim, muitas mulheres, principalmente as adolescentes, ignoram essa indicação e exageram na dose. Literalmente. Engolem a badalada pílula do dia seguinte a torto e a direito, fazendo dela a substituta dos contraceptivos tradicionais. "Já tive pacientes que tomaram oito doses no mesmo mês", revela, sem conter a perplexidade, a ginecologista Albertina Duarte Takiuti, que também é coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo. "Acompanho casos assim no hospital público e no meu consultório", endossa o hebiatra Maurício de Souza Lima, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Os números confirmam a suspeita de exagero: as 550 mil unidades vendidas em 2000 saltaram para 3,4 milhões até setembro de 2004.

Mais do que uma atitude imprudente, é um verdadeiro atentado à saúde. A pílula do dia seguinte chega a ter dez vezes mais hormônio que as convencionais. Abusar dela pode causar danos graves, como câncer de mama e de útero, problemas em uma futura gravidez, além de trombose e embolia pulmonar. "Um estudo de minha autoria com 136 meninas entre 11 e 20 anos que fizeram uso do remédio e acabaram sendo atendidas no Hospital das Clínicas de São Paulo mostrou que 48% delas tiveram algum tipo de efeito colateral. Apesar disso, 67% consideraram o método seguro", conta Albertina.

O ginecologista e terapeuta sexual Amaury Mendes Júnior, do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática, tampouco doura a pílula: "Entre o hipotálamo, localizado no cérebro, e os órgãos genitais há um eixo que mantém o compasso do funcionamento do corpo. Hormônio em excesso interfere nesse ritmo". Considere, ainda, que o medicamento só está sendo usado em grandes quantidades há cinco anos. Se nesse espaço de tempo já se conhecem tantos efeitos colaterais, pode se imaginar que muitos mais ainda virão à tona. "São necessários pelo menos outros cinco anos para que todos os prejuízos sejam revelados", estima Albertina Duarte Takiuti.

Ainda não há estudos determinando o que é uma superdosagem, mas a experiência clínica sugere que tomar mais do que uma pílula desses por mês já seria um abuso, apesar de o efeito não ser assim tão acumulativo. "Depois de dois a três dias, a droga é eliminada do organismo", garante a farmacêutica Julieta Ueta, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, no interior paulista.

A contracepção de emergência encerra, ainda, a discussão sobre um suposto efeito abortivo. Será que engolir a pílula do dia seguinte seria interromper uma vida? O Ministério da Saúde, que distribui o comprimido e uma cartilha sobre o assunto, defende por mais confuso que possa parecer que a vida não começaria com a fecundação, ou seja, com aquele encontro do óvulo com o espermatozóide. Reza sua cartilha, a gravidez só existe pra valer a partir do momento em que o ovo se implanta no útero para o embrião se desenvolver. A discussão é cheia de nós, até porque mexe com antigos laços da igreja católica.

Outra polêmica, acirrada depois que o Sistema Único de Saúde começou a distribuir gratuitamente a pílula do dia seguinte, refere-se à redução dos abortos clandestinos. E isso seria, em tese, ponto positivo. Não podemos fechar os olhos: a Organização Mundial da Saúde estima que, no Brasil, eles atinjam a cifra de 1,4 milhão de procedimentos anuais,. Só no ano de 2004, 243 998 brasileiras se internaram no SUS para uma curetagem a raspagem do útero a fim de retirar vestígios de embriões abortados.

No mundo ideal, os adolescentes se protegeriam na hora da relação sexual. "Eles conhecem os métodos anticoncepcionais, mas não usam", diz Albertina Duarte Takiuti. E aí vem aquela velha história sobre a importância de se sentirem à vontade para uma boa conversa com os pais sobre sexo. "Não vale um papo careta, com direito a lição de moral, nem forçar intimidade de uma hora para outra", diz Maurício de Souza Lima. "A relação de confiança se constrói no dia-a-dia."

Fonte de pesquisa: BoaForma.Abril

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