sábado, junho 26

Dá Para Viver Sem Sexo???

Diz-se que a castidade é uma virtude. Mas quando a abstinência sexual não é voluntária pode transformar-se num tormento e afetar seriamente a saúde.

Um apartamento hiperdesorganizado. Roupa amontoada em um canto, paredes forradas com calendários que "respiram erotismo" e diversos alimentos - que alguém denominou de afrodisíacos - espalhados no armário da cozinha. Os vídeos pornô formam uma pilha na mesa da sala. Mas não estão sós. Acompanham-nos latas de cerveja (uma bebida cai sempre bem) e uma pizza acabada de descongelar no microondas. Este é um ritual diário e, como tal, termina sempre da mesma maneira: com a masturbação. Uma dúvida se levanta: a protagonista da fantasia noturna será a atriz do filme, a criatura do poster ou a vizinha do segundo andar? Ou quem sabe, uma aventura a trois?!

Embora exagerado, este cenário não está nada longe da realidade. Muita gente vive o sexo de forma solitária. E não pense que estas pessoas renunciaram ao sexo. Bem pelo contrário. Respiram energia sexual por todos os poros, mas desfrutam o prazer de uma forma onanista. Determinadas pessoas recorrem à masturbação mesmo tendo parceiro e uma atividade sexual satisfatória. Depende da importância que atribuem a tal atividade erótica. Se a utilizam como substituta, pode dever-se a inibições que impedem a relação, afirmam os sexólogos. Problemas de caráter, traumas ou taras físicas que as envergonham são algumas das causas que os impedem de encontrar um parceiro para desfrutar toda a sua sexualidade.

O sexo, ao contrário de comer e de beber, não é uma das funções vitais do ser humano. A prova disso é que a falta de relações sexuais nunca foi responsável pela morte de ninguém. Mas podemos ser felizes sem sexo? Ou corremos o risco de virmos a sofrer de algum transtorno físico ou psíquico?

Em 2002, "The Journal of Sexual Research" publicou um estudo de Elizabeth Burgess, professora auxiliar de Sociologia na University Research of Georgia, EUA, do qual participaram 82 homens e mulheres com mais de 30 anos que ou ainda eram virgens, ou estavam há mais de um ano sem sexo. O objetivo era saber se essas pessoas se consideravam felizes ou se sofriam de algum problema. As conclusões foram desoladoras: 100% dos pacientes apresentaram sintomas de depressão e níveis de auto-estima muito baixos que se repercutiam noutras áreas, como o trabalho. Mais: todos se sentiam infelizes.

Os autores do estudo decidiram que o sexo era um fator influente nesse estado depressivo. Mas não é obrigatório que seja assim. Existem abstinentes que não apresentam sintomatologias depressivas.
É verdade que somos pessoas sexuadas e renunciar a isso equivale a cortar com um aspecto chave da nossa natureza. Isto não quer dizer que a abstinência seja uma opção ilegítima.Se a pessoa não sente vontade, não há problema nenhum. O problema é quando a abstinência é involuntária. E há também um outro fator muito importante; a falta de parceiros hoje em dia é absurda, então que culpa tem uma pessoa que pretende fazer sexo e não acha um único parceiro??? Outra coisa também, é a falta de hormônio que detona o nosso libido.
Mesmo com reposição hormonal, há pessoas que não funcionam mais a partir de uma certa idade. Tanto homens quanto mulheres. Não pensem que é só com as mulheres que isso acontece, com os homens é a mesma coisa.

Questão de desejo - Para alguns sexólogos, falar de sexo é falar de prazer. No entanto, Júlio Machado Vaz diz que infelizmente as coisas não funcionam assim, sobretudo para as mulheres. "O homem tem mais dificuldade em simular, fisiologicamente, o desejo. A mulher pode simulá-lo mais facilmente. Ao longo dos tempos, ela foi obrigada a suportar o sexo sem qualquer prazer, apenas pela sua posição subordinada ao poder masculino. Logo: sexo sem desejo", explica.

Ainda hoje se defende que a energia libidinosa tem de ser descarregada através do ato sexual, sendo o orgasmo um estado de plenitude. E quando isso não acontece?

O neurocirurgião Carlos Belmonte explica as conexões existentes entre o cérebro e a satisfação do desejo sexual. "A zona do cérebro conhecida como sistema límbico é responsável pelos mecanismos de recompensa do nosso organismo. Assim, quando temos fome e comemos, é o sistema límbico que nos proporciona a sensação de satisfação".

O mesmo se passa com o sexo. Quando um indivíduo é submetido a um estímulo sexual, o sistema límbico ativa-se; se o desejo é satisfeito, recebe-se a sensação de prazer e o mecanismo cerebral desativa-se.

O problema surge quando esse desejo sexual não é satisfeito. O mecanismo permanece ativado, mas sem poder atuar. Resultado: surge a frustração.

Os hormônios do prazer - Entre os mecanismos de recompensa produzidos pelo sistema límbico encontram-se as endorfinas (chamadas hormônios de prazer). São uns neurotransmissores - cuja missão é colocar em contato certos neurônios - que se libertam em momentos de prazer. A hipófise, a tireóide, se ambos não funcionam bem o desejo sexual cai brutalmente.

É durante o orgasmo que o nosso cérebro segrega maior quantidade de endorfinas. No entanto, os benefícios que produzem as endorfinas vão além da mera sensação de prazer. Além disso, está demonstrado que as endorfinas atuam como um antídoto contra a depressão, que normalmente surge quando os níveis deste hormônio são muito baixos no organismo.

Todavia, "praticar a abstinência sexual não significa, necessariamente, que o cérebro deixe de segregar endorfinas", salienta Júlio Machado Vaz. Opinião corroborada por Rosário Gomes: "Uma pessoa pode ter prazer em outras áreas da sua vida que não a sexual. As pessoas desviam as suas endorfinas e vão buscar prazer em outras áreas. No fundo, são compensadas. Se, por outro lado, tomam esta opção como uma questão de evitamento ou bloqueio, isso acaba por trazer instabilidade".

Mesmo não praticando sexo, podemos sempre ficar descansados: não haverá uma diminuição nos níveis de hormônios sexuais (testosterona e estrogênios), nem da produção de sêmen. Já lhe disseram que quanto mais relações sexuais você tiver, maior quantidade de esperma irá produzir, certo?

Pois se esqueceram de lhe dizer que o contrário também acontece. Ou seja, que a menor atividade sexual não diminui a produção de sêmen. O organismo, se não produz sêmen através do ato sexual, o faz automaticamente através dos sonhos. Também as mulheres têm sonhos noturnos que podem culminar em orgasmos. Mas, nestes casos, poderão estar entrando num círculo vicioso. A falta de estimulação vai provocar um reforço negativo do seu próprio desejo. Isso faz com que a pessoa invista naquela área, pois só conhece esse modo de prazer.

Disfunções sexuais - A abstinência sexual muito prolongada e involuntária pode ser originada por diversos transtornos psicológicos.

Pode haver uma dificuldade no âmbito da interação social, ou da abordagem com o outro e, às vezes, há dificuldade em encontrar novas pessoas. Na sociedade individualista em que vivemos, isso é cada vez mais comum.

Mas isso não é o mais grave. Uma abstinência forçada e prolongada pode aumentar os níveis de insegurança e ansiedade quanto ao desempenho sexual, o que, por sua vez, facilita os problemas sexuais. São várias as disfunções sexuais que tal ansiedade pode provocar. No caso do homem, pode ser uma disfunção erétil ou disfunção da ejaculação precoce. No caso da mulher, pode ocorrer o vaginismo (uma contração intensa e muito dolorosa dos músculos constritores da vagina, impedindo a penetração), a dispaurenia - o ato sexual com dor e dificuldades orgásmicas.São problemas físicos, mas a sua causa é de natureza psicológica ou emocional.
O cansaço e o estresse também são fatores importantíssimos para a falta do libido.

Fonte de pesquisa: Saúde Brasil e Lulucha




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