segunda-feira, abril 13

LSD - A Droga dos Anos 60

Keith Richards - Rolling Stones - Preso por porte de LSD em 77.
Quem viveu os anos 60, há de se lembrar do famoso LSD, das viagens fascinantes que esta droga proporcionava às pessoas que a ingeriam e os perigos que ela representava. Foi dai que surgiu a era "psicodélica" onde tudo era uma parafernália de cores e formas alucinantes. Hoje em dia esta droga é quase um remédio perante as outras tantas que surgem diariamente. Lulucha

Como funciona o LSD A droga psicodélica LSD foi chamada de ácido, selo (blotter), sol da Califórnia, ponto, microponto, açúcar e incontáveis outros nomes coloridos desde que foi vendida pela primeira vez nas ruas, no começo dos anos 60.

Faz sentido que o LSD fosse tão popular. Ele é fácil de tomar - sem cor, sem cheiro e sem gosto -, e ingerir apenas uma minúscula quantidade (25 microgramas, ou 0,000025 gramas, menos que o peso de dois grãos de sal) é o suficiente para sentir os efeitos. Ele também é fácil de ocultar, já que as doses de hoje são geralmente encontradas em minúsculos quadrados de papel absorvente.

O LSD ainda é difícil de detectar devido à pequena quantidade ingerida e ao fato de que ele é rapidamente metabolizado pelo corpo. Finalmente, LSD é barato se comparado com outras drogas. Uma dose custa cerca de US$ 5, e frequentemente pode ser conseguida de graça. The Museum at Bethel WoodsUm "Ônibus Mágico" em exposição no The Museum at Bethel Woods Center of the Arts, que foi construído no lugar onde aconteceu o festival Woodstock, de 1969

As mesmas coisas que fazem o LSD tão popular também o tornam assustador, e nós somos avisados sobre seus muitos perigos de tempos em tempos. Por exemplo: você deve ter ouvido que o LSD pode fritar ou esburacar seu cérebro, ou pode deixá-lo louco, ou fazê-lo fazer coisas perigosas. Supostamente, pessoas pularam de prédios ou pontes enquanto estavam "viajando" ou se afogaram porque pensavam que poderiam andar sobre a água. Há histórias de pessoas que, querendo atrair crianças para o LSD, colocavam a droga nos selos postais ou em tatuagens de chiclete. Nada disso é verdade. Na verdade, muitas dessas coisas que ouvimos que o LSD faz, e o que a pessoa faz sob sua influência, são mitos ou exageros criados para assustar adolescentes impressionáveis.

A verdade é que, embora o LSD exista há mais de 60 anos e tenha sido tomado por milhares e milhares de pessoas, ele ainda não é bem compreendido pela maioria de nós. Ainda que esteja associado para sempre com os hippies e o movimento da contracultura dos anos 60, o LSD foi sintetizado pela primeira vez por pesquisadores procurando criar novos medicamentos. Vamos começar com o começo do LSD - em um laboratório na Suíça.

A história do LSD O químico suíço Albert Hoffmann trabalhava em um laboratório da companhia farmacêutica Sandoz quando sintetizou o LSD pela primeira vez. A Sandoz estava trabalhando em um projeto de pesquisa envolvendo um fungo parasita chamado ergot que cresce no centeio, conhecido como Claviceps purpurea. Na Idade Média esse fungo envenenou milhares de pessoas que comeram pão de centeio infectado. O fungo também era usado por parteiras, que às vezes o davam a mulheres grávidas para acelerar o trabalho de parto. No século 19, a maioria dos médicos considerava a prática perigosa demais porque altas dosagens levavam a contrações muito fortes, colocando o bebê em perigo. Apesar disso, às vezes os médicos usavam o ergot para parar o sangramento após o nascimento da criança.

Philip H.Baley/CC-BY-SAAlbert Hoffman, que descobriu o LSD Nos anos 30, pesquisadores do Instituto Rockefeller, em Nova York, isolaram o ácido lisérgico de um composto do ergot. Essa pesquisa foi a base para o trabalho de Hoffmann na Sandoz.

Enquanto estava derivando diferentes compostos do ácido lisérgico, Hoffmann desenvolveu vários medicamentos, incluindo drogas que baixavam a pressão arterial e melhoravam as funções cerebrais em idosos. Em 1938, Hoffmann isolou o 25o composto em uma série desses experimentos. Era a dietilamida do ácido lisérgico, o LSD-25. Ele achava que o LSD-25 podia estimular a respiração e a circulação. Mas testes não mostraram nada de especial, e a Sandoz abandonou estudos adicionais.

Cinco anos depois, os pensamentos de Hoffmann voltaram para o potencial do LSD-25. Ele sentiu que o LSD-25 não tinha sido totalmente explorado, então deu um passo incomum ao sintetizar outro lote para testes adicionais. Durante o processo, contudo, Hoffmann começou a se sentir estranho. Ele parou seu trabalho e foi para casa cedo, "sendo afetado por uma inquietação memorável, combinada com uma leve tontura". Já em casa, ele estava em um "estado irreal" e percebeu um fluxo ininterrupto de imagens fantásticas, formas extraordinárias com um caleidoscópio de cores intenso". Naquele momento, Hoffman percebeu que tinha ficado com um pouco da solução nos dedos. (Mais tarde ficaria comprovado que ele colocou seu dedo na boca, já que o LSD não podia ser absorvido pela pele.)

No dia seguinte, Hoffman propositalmente tomou o LSD. Ele pegou 250 microgamas, dez vezes mais que a típica dose mínima de hoje. Hoffmann ficou delirante e mal podia falar. Inicialmente, ele entrou em pânico e pediu a seu assistente de laboratório para chamar um médico. O médico não encontrou nada errado com Hoffmann além do fato de suas pupilas estarem dilatadas - ele tinha a pressão arterial, batimentos cardíacos e respiração normais. Logo seu pânico deu lugar à euforia, e Hoffmann mais uma vez viu formas belas e coloridas. No dia seguinte, contou aos outros na Sandoz o que havia acontecido, e eles experimentaram resultados similares. Nenhuma outra droga conhecida tinha efeitos tão fortes em tão pequenas doses.

Após testes em animais, a Sandoz deu o LSD para institutos de pesquisas e médicos usarem em experimentos psiquiátricos, tanto em pacientes saudáveis quanto em mentalmente doentes. A pesquisa foi persuasiva o suficiente para convencer a Sandoz a patentear o LSD e levá-lo ao mercado como Delysid em 1947. Ele foi vendido em tabletes de 25 microgramas para uso na psicoterapia analítica. A Sandoz também sugeriu que psiquiatras tomassem a droga eles mesmos, assim poderiam entender melhor seus pacientes. Dois anos depois, médicos do Hospital Psicotrópico de Boston estavam usando o LSD em seus pacientes.

Em 1960, havia centenas de pesquisas publicadas nos jornais médicos e científicos sobre os vários usos do LSD - era a palavra da comunidade psiquiátrica. Mas em 1966, a Sandoz parou de fabricar de vez o LSD.

Efeitos do LSD no corpo Pesquisadores não estão 100% certos sobre o que o LSD faz no sistema nervoso central, ou exatamente o que provoca os efeitos alucinógenos. Isso é em parte porque nunca houve estudos científicos sobre como o LSD afeta o cérebro. Acredita-se que o LSD funcione de maneira similar à serotonina, o neurotransmissor responsável por regular o humor, o apetite, o controle muscular, a sexualidade, o sono e a percepção sensorial. O LSD parece interferir na maneira como os receptores de serotonina do cérebro funcionam. Ele pode inibir a neurotransmissão, estimulá-la, ou ambos. Ele também afeta a forma como a retina processa a informação e conduz essa informação ao cérebro.

Apenas 0,25 microgramas de LSD para 1 quilo de peso do nosso corpo pode produzir efeitos. Uma dose típica de hoje tem essa quantidade; nos anos 60, a dose era até quatro vezes maior. Quando uma pessoa toma LSD, a droga é rapidamente metabolizada no fígado e com o tempo excretada na urina. Uma pequena quantidade é deixada no corpo no final da viagem e provavelmente terá ido embora completamente semanas depois.

Já foi dito que o LSD permanece para sempre no corpo em minúsculas quantidades no cérebro ou na medula espinhal, mas não há evidências que suportem essa afirmação. Quem acredita nisso, contudo, diz que o cérebro retém o LSD e pode liberar suas moléculas com o tempo, e isso pode causar "flashbacks". Um flashback ocorre quando a pessoa que usou LSD no passado tem uma experiência (durando de segundos a horas) de forma similar à de uma viagem de verdade. Alguns usuários de LSD gostam desses flashbacks e os consideram "viagem grátis", enquanto outros os acham extremamente chatos. A maioria dos usuários de LSD relata nunca ter tido flashbacks, e algumas pessoas defendem que eles nem sequer existem. Esse tópico é muito controverso entre usuários de LSD e pesquisadores.

Dos que relataram experiências de flashback, muitos são também mentalmente doentes. Alguns médicos sugerem que o que o usuário percebe como um flashback é, na verdade, uma forma de psicose ou doença mental que pode ter emergido devido ao uso do LSD. Há um transtorno reconhecido pelos médicos chamado Distúrbio de Percepção Alucinógena Persistente (Hallucinogen Persisting Perception Disorder, HPPD), em que algumas pessoas que tomaram LSD constantemente experimentam alucinações visuais (como oposição aos breves flashbacks). Ainda não se sabe exatamente o que faz algumas pessoas mais suceptíveis a isso que outras.

Perigos e abuso do LSD Houve poucos relatos de overdoses de LSD que resultaram em morte ou problemas de saúde permanentes. Em 1973, um caso foi relatado pelo "The Western Journal of Medicine", em que oito pessoas tomaram overdoses massivas de LSD em uma festa. Elas pensaram que o pó branco sendo passado na festa era cocaína e cheiraram miligramas dele. A maioria desmaiou. No hospital, tiveram febre, vômito e hemorragia interna. Contudo, todos os pacientes se recuperaram em 12 horas e sem nenhum efeito duradouro. Cinco deles foram examinados regularmente durante um ano para problemas de longo prazo.

Houve relatos de ataques cardíacos (infartos), derrames e outras mortes associadas ao uso do LSD, mas muitos desses usuários também tinham outras drogas recreativas em seus sistemas, de modo que a culpa do LSD não foi provada. O dano físico real associado ao LSD vem do que pode acontecer quando alguém perde a inibição e tem alterações de comportamento, percepções distorcidas ou senso de imortalidade durante a viagem. Usuários de LSD mataram-se acidentalmente ao andar na frente de um carro, ou envolvendo-se em um acidente de carro durante a viagem, ou caindo de janelas ou edifícios.

Essas pessoas não enlouqueceram. O LSD não tem a tendência de fazer alguém enlouquecer ou tornar-se psicótico. Ele pode interagir com outras drogas e provocar sintomas psicóticos (especialmente outras drogas que atuam nos neurotransmissores). Algumas pessoas com histórico de certas doenças mentais, como esquizofrenia ou psicose, pode ter os sintomas exacerbados pelo LSD. A droga também pode acelerar o início dessas doenças se alguém já vai desenvolvê-la.

Usuários pesados de LSD também podem desenvolver problemas sociais profundos, arruinar completamente seu ciclo de sono e perder o interesse em comida e na higiene pessoal. Eles também perdem o interesse em participar do mundo à sua volta e sentem-se completamente desconectados de todo o mundo. O grande problema é que por estarem tomando o LSD com tanta frequência, eles pensam que o LSD está criando a ilusão de que sua vida é uma bagunça, em vez de reconhecer que ela é realmente uma bagunça.

Você não vai ouvir falar de alguém que esteja fazendo reabilitação por abuso de LSD, porque ele não é uma droga que vicia. Usar o LSD por dias seguidos pode levar a pessoa a desenvolver rapidamente uma tolerância, por isso, ele é raramente usado por mais de uma semana. Uma pessoa que usa LSD duas vezes por semana é considerada um usuário pesado. Fora isso, repetidas viagens tendem a perder sua novidade, e o que uma vez pareceu mágico se torna lugar comum. Os efeitos causados pelo LSD não são confiáveis como o são os efeitos de outras drogas - você nunca sabe como vai se sentir ou o que vai ver. Viciados anseiam por confiabilidade.

As leis da droga LSD hoje Keith Richards guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, foi processado por porte de LSD e cocaína em 1977 Nos Estados Unidos de hoje, o LSD é uma substância controlada da Tabela 1 da Lei de Substâncias Controladas (CSA). Isso quer dizer que o governo federal acredita que o LSD tem alto potencial de abuso, uso com ausência de segurança aceitável quando ingerido sob supervisão médica e nenhum uso médico atual. O último critério é importante; LSD é uma droga da Tabela 1, mas a cocaína é da Tabela 2, devido a alguns usos médicos (como anestesia local). Há maiores ramificações legais, em outras palavras, para o LSD do que para a cocaína.

A penalidade federal para o primeiro delito por posse de LSD é no máximo um ano na prisão ou no mínimo multa de US$ 1.000. Novas transgressões podem aumentar o tempo de prisão até três anos. As penas por fazer ou vender LSD são baseadas não apenas no número de delitos, mas na quantidade envolvida. Assim, mesmo se for a primeira transgressão, se a quantidade é até 10 gramas, o infrator pode passar de 5 a 40 anos na cadeia e ainda pagar uma multa de US$ 2 milhões. Quantidades maiores podem resultar em prisão perpétua. Decisão da Suprema Corte em 1991 determinou que quando da pesagem do ácido blotter, o peso do papel pode ser incluído.

Já que a verdadeira quantidade do LSD no papel é tão pequena, algumas pessoas alegaram que isso resulta em sentenças injustamente duras. Há poucas prisões federais por LSD, contudo - menos de 2% de todas as prisões da DEA. E quem são esses usuários de LSD? De acordo com a 2007 National Household Survey on Drug Use & Health, cerca de 9% de americanos acima de 12 anos usaram LSD ao menos uma vez na vida. Este é o perfil do usuário médio de LSD: · Homem branco entre 18 e 22 anos que experimentou pela primeira vez a droga entre 15 e 19 anos. · Mora mais provavelmente no Oeste dos EUA, vem de família abastada e tem pais educados. · Usou LSD apenas algumas vezes, mas também tende a usar álcool, maconha e cocaína.

À medida que a faixa etária na pesquisa aumenta, o uso de LSD geralmente cai, significando que usuários de LSD têm carreira curta. Houve um leve aumento do uso do LSD entre formandos do high school (curso equivalente ao ensino médio brasileiro) no comeco dos anos 90, mas isso se manteve entre 8% e 10% desde que a pesquisa começou, em 1975.

Garota com olhos de caleidoscópio"Lucy in the Sky with Diamonds", dos Beatles, é a música do LSD? John Lennon não negou que a letra foi inspirada pela experiência com drogas, mas afirmou que ele não notou, até que alguém mostrasse, que o título formava a sigla LSD. Ele disse que o título foi dado por seu filho Julian, que pintou um quadro de sua colega de classe Lucy cercada por estrelas cintilantes. Quando Lennon perguntou a Julian como se chamava a pintura, este respondeu "Lucy in the sky with diamonds". Lennon mostrou a pintura e sustentou até a sua morte que ela era a origem do título. Fonte de pesquisa: HSW

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bem feito !!! adorei o texto !!! parabéns !